“À mulher roca e ao marido a espada”

Reclamou a vizinha do meu gosto musical

Que a musica que ouço já ninguém se lembra e que até as crianças da creche em frente já perguntaram as educadoras se o que era aquilo que eu estava a ouvir

Como é normal não argumentei, nem refilei ali no meio da rua para não fazer escanda-lo “o que é que as pessoas vão pensar de uma mulher como tu? À mulher roca e ao marido espada” .
Fiz o que se deve fazer numa situação como esta, sorri, virei costas, e fui reclamar junto da entidade competente dos desentendimentos modernos: o Facebook

Fiz de tudo. Publicações com indiretas manhosas, procurei no Google frases reles e copiei no para o meu mural, sem nunca dizer a fonte para todos pensarem que fui eu que escrevi (que eu cá posso ter mau gosto musical mas burra é que não sou), cheguei até ao ponto de pedir uma corrente de Jesus Cristo para que as pessoas não descriminarem o meu gosto musical, nada resultou. 
Os dias passaram e as reclamações continuaram. Se ouvia Carlos Paião queriam o “Jajão”, se ouvia António Variações é porque a “Mafiosa” é que se ouve agora e nem “o Postal dos Correios” lhes fazia a vontade, para as ver contentes e caladas era só colocar o ” esfrega esfrega” ou “downtown”. 
Continuei a refilar no Facebook , continuou a não resultar. “Que Diabo!!?” Resulta com toda a gente não resulta comigo porquê?” Esqueci-me no entanto que a minha vizinha não é minha “amiga do Facebook”, nem ela nem as crianças da creche em frente. “Olha que merda e agora? Querem ver que eu tenho de ir falar cara a cara com a mulher a e discutir o assunto?” Sem mais opções, foi mesmo o que resolvi fazer. 
Pela minha vontade tinha metido chouriço, tremoços, pevides, pão caseiro, presunto, azeitonas queijo fresco e queijo da serra, mas todos sabemos que estas coisa não são “Groumet” e não dão fotos bonitas para o Instangram, por isso deixei-me de tradicionalismos.

Fiz bolos, e bolachas caseiras, tudo sem glúten que a intolerância, nos dia que correm, parece uma epidemia. Fiz chá, café e laranjada tudo com produtos biológicos e nacionais que temos de valorizar o que é nosso.

Convidei a todos para uma bela de uma merenda, desculpem , convidei a todos para “um belo lanche”. Depois de todos terem, tirado as fotos para o Instangram com os devidos hastags comei o meu discurso cheio de argumentos, era um discurso tão bom que se tivesse sido apresentado no Parlamento era despedida por excesso de qualidade

Entre tantos argumentos o meu preferido e que achava mais persuasivo era que depois de tanto tempo emigrada tenho todo o direito de ouvir Carlos Paião, António Variações, José Cid, Emanuel e José Malhoa, na repetição as vezes que eu bem entender. – “Repet” Repreendeu-me uma das jovens vizinhas sem nunca tirar os olhos do seu telemóvel (smatphone).

Convencida de que tinha, agora o direito de ouvir a minha música em paz, deixei “o homem da mesa” falar. Era ele o porta voz, porquê? Porque segundo ele, o homem é que tem de dar a palavra final pois as mulheres “muito falam e pouco acertam. É isso e estacionar direito “- disse ele levando todos os presentes á gargalhada (eu particularmente não percebi a piada, deve ser por ter estado tanto tempo fora) . 

Levantando-se olhou para mim e disse “Não percebo toda essa importância por causa da música. Ouça o que todos ouvimos e acaba-se o problema. Está naqueles dias é vizinha? (disse piscando o olho). Tome um Triffene ou arranje um homem que isso passa”

Com isto todos se levantaram e foram embora
Eu aqui fiquei, sozinha e caladinha a lavar a loiça, de fones nos ouvidos enquanto Carlos Paião me gritava aos ouvidos “Tá caldo, tá calado, não percebes nada de agrícola, tá calado, tá calado, refilar faz mal á vesicula”

Reclamou a vizinha do meu gosto musical.
Que a musica que ouço já ninguém se lembra e que até as crianças da creche em frente já perguntaram as educadoras se o que era aquilo que eu estava a ouvir. 
Como é normal não argumentei, nem refilei ali no meio da rua para não fazer escanda-lo “o que é que as pessoas vão pensar de uma mulher como tu? À mulher roca e ao marido espada” . Fiz o que se deve fazer numa situação como esta, sorri, virei costas, e fui reclamar junto da entidade competente dos desentendimentos modernos: o Facebook. 
Fiz de tudo. Publicações com indirectas manhosas, procurei no Google frases reles e copiei no para o meu mural,sem nunca dizer a fonte para todos pensarem que fui eu que escrevi (que eu cá posso ter mau gosto musical mas burra é que não sou), cheguei até ao ponto de pedir uma corrente de Jesus Cristo para que as pessoas não descriminarem o meu gosto musical, nada resultou. 
Os dias passaram e as reclamações continuaram. Se ouvia Carlos Paião queriam o “Jajão”, se ouvia António Variações é porque a “Mafiosa” é que se ouve agora e nem “o Postal dos Correios” lhes fazia a vontade, para as ver contentes e caladas era só colocar o ” esfrega esfrega” ou “downtown” . 
Continuei a refilar no Facebook , continuou a não resultar. “Que Diabo!!?” Resulta com toda a gente não resulta comigo porquê?” Esqueci-me no entanto que a minha vizinha não é minha “amiga do Facebook”, nem ela nem as crianças da creche em frente. “Olha que merda e agora? Querem ver que eu tenho de ir falar cara a cara com a mulher a e discutir o assunto?” Sem mais opções, foi mesmo o que resolvi fazer. 
Pela minha vontade tinha metido chouriço, tremoços, pevides, pão caseiro, presunto, azeitonas queijo fresco e queijo da serra, mas todos sabemos que estas coisa não são “Groumet” e não dão fotos bonitas para o Instangram, por isso deixei-me de tradicionalismos. 
Fiz bolos, e bolachas caseiras, tudo sem glúten que a intolerância, nos dia que correm, parece uma epidemia. Fiz chá, café e laranjada tudo com produtos biológicos e nacionais que temos de valorizar o que é nosso.
Convidei a todos para uma bela de uma merenda, desculpem , convidei a todos para “um belo lanche”. Depois de todos terem, tirado as fotos para o Instangram com os devidos hastags comei o meu discurso cheio de argumentos, era um discurso tão bom que se tivesse sido apresentado no Parlamento era despedida por excesso de qualidade.
Entre tantos argumentos o meu preferido e que achava mais persuasivo era que depois de tanto tempo emigrada tenho todo o direito de ouvir Carlos Paião, António Variações, José Cid, Emanuel e José Malhoa, na repetição as vezes que eu bem entender. – “Repet” Repreendeu-me uma das jovens vizinhas sem nunca tirar os olhos do seu telemóvel (smatphone). 
Convencida de que tinha, agora o direito de ouvir a minha música em paz, deixei “o homem da mesa” falar. Era ele o porta voz, porquê? Porque segundo ele, o homem é que tem de dar a palavra final pois as mulheres “muito falam e pouco acertam. É isso e estacionar direito “- disse ele levando todos os presentes á gargalhada (eu particularmente não percebi a piada, deve ser por ter estado tanto tempo fora) . 
Levantando-se olhou para mim e disse “Não percebo toda essa importância por causa da música. Ouça o que todos ouvimos e acaba-se o problema. Está naqueles dias é vizinha? (disse piscando o olho). Tome um Triffene ou arranje um homem que isso passa”. 
Com isto todos se levantaram e foram embora. 
Eu aqui fiquei, sozinha e caladinha a lavar a loiça, de fones nos ouvidos enquanto Carlos Paião me gritava aos ouvidos “Tá caldo, tá calado, não percebes nada de agrícola, tá calado, tá calado, refilar faz mal á vesicula”