“Ninguém se ri que não tenha chorado”

A ressaca da perda de um grande amor é pior do que a que se sente depois de acordar de um coma alcoólico.

Não há soro que te limpe o sangue nem analgésicos que atenuem a dor, estás presa a um sofrimento que não têm prazo de validade.

Falta o ar, peito fica vazio, o corpo doí, e o único lugar onde a dor não é tão latejante é o quarto, de janelas e precianas fechadas, para que o monstro da saudade não nos veja e nos obrigue a mandar mais uma mensagem que sabemos que não terá resposta. Sabes que tens de agir e reagir, mas como? De onde vem a força? Onde se encontra a coragem ou o ânimo para seguir em frente? Deveria de ser possível morrer durante estas primeiras semanas, não é justo que a vida continue sem significado, não é justo que o despertador toque uma hora depois de teres conseguido adormecer coberta com os “ses” da vida que um dia tiveste e hoje não tens mais.

Mas, infelizmente, a vida continua e tu sorris por fora chorando por dentro, dizes que não te afecta enquanto sangras amargamente.

As dores de um coração partido deviam de ser discutidas por médicos em importantes conferências, deviam de ser criados slogans como “Se (já) estás feliz não te apaixones”, filmes de terror como “Lembra-te no que sofreste com o teu amor passado”. Caso não resultasse, criávamos vacinas conta os amores repentinos, amores á primeira vista, amores efémeros. Alguma medida deve de ser tomada, alguma medida TEM de ser tomada, pois um coração partido doí em todo o corpo, cria depressão, falta de apetite, falta de amor próprio. Os textos que leio falam do “renascer da Fénix”, do que vem depois, ninguém conta sobre os dias passados de pijama, numa casa escura, do cabelo oleoso, ou dos olhos inchados de tanto chorar.

Nem todas sofremos lindas e maravilhosas, assistindo pela milésima vez ao “Diário da nossa paixão” com 1Litro de gelado ao colo, de maquilhagem intacta depois de tantas lágrimas. Neste momento tenho duas certezas: a primeira é os príncipes que nos habituamos a ver nos filmes da Disney, na vida real, procuram princesas e não mulheres comuns, não mulheres “de todos os dias”. A segunda e mais animadora é que realmente a  Fénix vai renascer, não importa quando, nem como mas vai.

Por agora está tudo bem neste “ está tudo mal “ , porque sofrer, chorar gritar, quase sufocar também é permitido.

Porque quando o” depois” chegar o rímel que ontem escorria pela cara mal maquilhada hoje está intacto nos olhos, que só querem ver o futuro.  

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s